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sexta-feira, 26 de março de 2010

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Publicidade de Primeiro Mundo

Televisão para mim não é algo para fazer no "meio tempo". Enquanto eu espero alguma coisa, quando não tem nada pra fazer, antes de dormir... Não! É assim: "Agora não posso, tô vendo TV". É triste e vergonhoso, mas eu tenho uma pilha de livros para ler (eu também amo ler, mas a TV tá em outro estágio) e boa parte dela não andar mais rápido é que eu passo muito tempo vendo TV!

Eu descobri que isso é bom pra mim, televisão não serve só para fritar meus neurônios! Como profissionalmente pretendo me envolver nessa área eu me convenci que é praticamente um estudo. E ai de quem disser que não!

Enfim, lembra que eu contei no post passado que comprei uma TV maior que eu né? Depois disso, só faltava ela pegar! Liguei pra Time Warner, que é o cable padrão aqui onde eu moro. O cara falou que custava U$50 por mês, que isso! Eu achava que a NET era cara (isso porque a minha NET ainda era aquela caixinha preta com letra vermelha e nem Telecine tinha - eu odeio ver filme na TV). Mas no Brasil eu acho que vale o investimento... Eu adoro a Globo (viu, chefes), mas é impossível ficar sem a magnífica produção televisiva norte-americana (totalmente entregue ao 'sistema'). Eu e minha mãe já falávamos: "Tudo bem, pode sair... eu vou ficar em casa. Eu e minha amiga NET." Para não ser injusta, a NET tem muito mais coisa legal do que o que é importado: as produções do GNT, Multishow (antes de virar a MTV pré-pré adolescente), Globo News... Mas o que pega mesmo pra mim são as séries!

Bom, isso tudo pra dizer que eu falei pro cara do Cable: "Olha, eu só preciso dos canas NCB, ABC, Fox, CBS... " Aí ele, muito impaciente e não acreditando que alguém se satisfizesse com isso, me disse que esse era o mais básico e que era U$30. Pô! Isso pra ter TV aberta?! Aí lá fui eu pra Best Buy procurar uma ANTENA! Enfim, minha antena parece um satélite alienígena, custou suados U$60, mas funciona que é uma beleza! Nem preciso colocar Bombril na ponta. Quando não pega, não fica chiado ou a imagem treme - como é digital, a imagem simplesmente não aparece! Com ela veio uma instrução de entrar num site para detectar examente a posição que você está no planeta Terra e determinar qual o melhor ângulo para você apontar sua antena! Uau! Óbvio que eu fiquei com preguiça.

Enfim, CBS: 2, NBC:4, FOX:5, ABC:7! Pra quê eu quero mais?! Eu nem acredito, todas as séries assim, pela antena! E não só isso, Oprah, todos os Late Nights (sério, é MUITO late show nesse país), Jornalismo, Realitys que não acabam mais... E outro dia saí dessa 'zona de conforto' e descobri vários outros canais, tipo Telemundo (pra assistir El Clon!), TV Azteca, LATV...

Como eu faço curso a noite no horário nobre da TV (por que não pensei nisso antes?!), acabo perdendo muitos episódios, mas dá pra ver tudo pelos sites oficiais depois, de graça. E também tem uma infinidade de piratas né, mas eu ainda não entrei nesse mundo.

Bom, mas isso tudo eu já via no Brasil, só que eu pagava a mais por isso e tinha um certo 'delay'. O que me chama mais a atenção na TV aqui são as propagandas! Por diversos motivos...

  • Concorrência desleal
Sabe como no Brasil as marcas só "insinuam" o que o concorrente faz ou deixa de fazer? Tipo aquelas propagandas da Oi... Aqui é assim: "Compra comigo porque o fulano (e fala realmente o nome da marca ou mostra o logo) é uma bosta!!! Ele não faz isso, isso e isso..." Eu não sei se isso não é novidade para ninguém, mas eu fiquei chocada! Alguém liga pro Conar!!!
Pois é... essa coisa de comparar aqui é muito comum, e não fica só na insinuação, fala mesmo! Eu contei isso para alguém e me disseram que nunca poderiam fazer isso no Brasil porque o público acaba ficando com pena de quem é desmoralizado e ganhando antipatia de quem fala mal. Nós somos uns corações de manteiga né?!

Aqui vão alguns vídeos para demonstrar do quê eu estou falando (se só quiser ver um, vê o do Audi, que é ótimo):

Audi vs. os outros



AT&T vs. Verizon


Dish vs. DirecTV


Domino's vs. Pappa Johns


Sinistro, né? Mas não adianta ficar com pena, porque todos esses "coitados" que estão sendo acusados de maus serviços fazem a mesma coisa!

  • Paid Programming
Se você tiver insônia por aqui se programe para que ela dure até +- 2 da manhã. Há uma programação de qualidade em todos os canais abertos até de madrugada, como os Late Shows citados acima (depois eu me aprofundo mais sobre isso) que são um atrás do outro! Mas quando você vê no guia (sim, que nem a NET digital, e eu consigo isso só com a antena!) que começa o "Paid Programming", pode se atirar da janela. A não sei que você seja desses viciados em compras pela televisão. O Paid Programming tem em todos os canais, e são propagandas dos mais variados produtos: remédios para emagrecer, base (sim, de maquiagem, só!), aspirador de pó...
Só que é 1 hora da propaganda do MESMO produto!!! Eu queria ter o vídeo para colocar aqui, é uma mega produção. atores, locações, várias demonstrações e depoimentos "reais". Como ficar uma hora ouvindo sobre um produto só?! Ah, socorro!

  • Efeitos colaterais
Sabe aquele asterísco mínimo que aparece nos comerciais de remédio ou aquela tela azul em que o cara fala na velocidade da luz "Se os sintomas persistirem, consulte seu médico" ou aquele outro aviso ajato sobre se tiver com suspeita de dengue? Pois é, aqui os efeitos colaterais tomam a maior parte dos anúncios de remédio! Por exemplo, no anúncio abaixo, são 25 segundos falando do que o remédio faz de bom para 35 citando os efeitos colaterais.

Eu não tô brincando, é assim: Tome esse remédio pra melhorar tal coisa, mas não dirija, não beba, se estiver com suspeita de depressão esse remédio pode levar ao suicídio!!!
Acho legal que seja obrigatório ter clareza com o consumidor, mas acho também que não precisava ser tão 8 ou 80! No Brasil, as propagandas claramente escondem muita coisa, aqui elas falam até demais! Precisa ler a bula toda? Além disso e tão engraçado, porque o narrador mantém o tom de propaganda das maravilhas do remédio quando fala coisas tipo: "pode aumentar as chances de suicídio". Como assim?
Todos os comerciais de remédio têm isso, mas de cabeça só lembro de um, se achar mais vídeos depois eu venho e atualizo, mas vamos lá:

Lunesta - remédio para dormir



Pout pourri - Efeitos colaterais

Achei esse vídeo no Youtube, que junta só a parte que fala sobre os perigos dos remédios! Todos originais.


Side Effects Spoof

Esse povo é muito criativo! Quando eu comecei a pequisar sobre isso, não achava que as pessoas tinham a mesma percepção do que eu. Mas pelo visto, tem gente que até zoa profissionalmente! Muito bom, assistam. Te faz pensar se vale a pena tomar o remédio!


Há muito mais para se falar da publicidade aqui, tudo é muito grande, chamativo e apelativo. Não fiz uma análise profunda né, mas é só o que me chama a atenção no dia-a-dia!

quarta-feira, 24 de março de 2010

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Fofurinhas

Todo mundo diz: "As pessoas em NY? Ah, são muito grossas!".

Tudo bem, eu também sou grossa às vezes, venho do Rio de Janeiro, brigo no trânsito, discuto com flanelinha (todo stress envolve carro na minha vida). Tô acostumada!
Eis que eu descobri que existe um nível de grosseria que transcende as relações humanas e a convivência civilizada em sociedade. E foi aqui.

É assim: ninguém aqui tá de bobeira, de sacanagem ou tem tempo a perder. Não sei se eles são grossos de propósito ou se simplesmente são tão egocentristas que não se importam de falar certas coisas ou agir de certa maneira com as outras pessoas. Uma coisa que notei também, é que não são só os nova iorquinos que são assim, é algo que você adquire com a convivência na cidade! Que maravilha, pra mim que já sou uma pessoa nada paciente, vai ser tiro e queda. Me aguardem.

Em menos de dois meses que estou aqui já passei por alguns casos desagradáveis. Na verdade quanto mais tempo eu deixasse passar, mas história eu teria para contar (eu sei que isso não acaba aqui!), mas ontem me aconteceu uma que eu queria ter filmado. Então acho melhor falar logo senão eu esqueço (minha memória não funciona). Bom, vou citar algumas situações:

- Tudo começou quando eu cheguei a NY. Vim pra cá da Flórida, com 3 malas e uma bolsa. Saindo do aeroporto tive que pagar U$5 pro cara levar minhas malas até o taxi (era o mesmo preço do aluguel do carrinho). Sabe a entrada do seriado Felicity? Era eu, muito mais carregada, olhando da janela do táxi para ver a cidade e muito animada! Até que ele chegou ao endereço da minha 'hospedagem', e hoje entendo porque (eu não sabia que tinha que dar gorjeta), mas ele até tirou as minhas malas do carro - e deixou no meio da rua. Nem levou até a calçada! 3 malas!!! Ok.. eu ainda estava tomada pelo espírito encantador que é o de quem chega a um lugar novo, e lá fui eu tentar carregar tudo. Para entrar no meu prédio são duas portas que tem que abrir, pra fora (não dá nem pra ir empurrando), e tem 3, repito, 3 seguranças na mesa. Sabe o que é todo mundo me olhar do meio da rua tentando sem sucesso (elas iam caindo no chão) levar 3 malas até o interior do prédio sem mover UMA palha?! Nem abrir a porta!!! Aí eu fui lá dentro (deixei minhas malas no asfalto) e falei: "Oi, eu estou chegando hoje, tem alguém que possa me ajudar com as malas?" Eles: "Não." Nãaao! Do tipo "não faz parte do nosso serviço". Voltei pra rua e depois de alguns minutos e quase suar no frio, levei tudo pra dentro.

- Fui comprar uma TV. Tinha uma de 32 polegadas muito barata, o preço de uma de 28, que era a que eu ia comprar inicialmente, então fechou. A dúvida era se ela ia caber no meu quarto, mas enfim, lá fui eu. O frete deles era de U$50, sendo que eu morava a 6 quadras da loja. Aí eu pensei, por esse preço, pego um táxi. O cara da loja, que tinha aquele carrinho de mão, disse que levava se eu desse uma gorjeta pra ele. Aí eu logo falei: tabom! U$5? Aí ele: U$20. Po!!!
Lá fui eu chamar um táxi - o cara do carrinho até fez a gentileza de colocar a TV no porta mala (que nem fechava). Quando o taxista chegou na minha casa e eu o paguei (de novo não dei gorjeta porque não sabia), saí do taxi e vi que ele nem se mexeu! Uaaaahhhh, eu ia ter que levar a TV sozinha! O arrependimento já tomava conta de mim... mas como eu sou da geração "deixa comigo, não preciso de ninguém" (até porque nem tinha essa opção né), fui lá carregar. Enfim, é impossível explicar com palavras como foi carregar uma caixa do tamanho dos meus braços abertos e muito pesada. Ninguém abriu nenhuma das duas portas pra mim, de novo, e ainda tiveram a audácia de falar: "Look who's got a brand new flat screen TV!" Assholes.

- Quando eu decidi vir pra cá, escolhi um curso na School of Visual Arts, que começava no dia 3 de fevereiro e me fez adiantar tudo e fazer tudo correndo. Pois bem, cheguei aqui no dia 3 só para começar no curso. Entrei no site para ver o endereço correto, quando vejo "Course status: canceled"! O quêêê??? Liguei pra lá para saber, e a mulher falou que eles ligaram para a minha casa (do meu pai) e deixaram recado. Não tinha recado nenhum, e eu não recebi nem um e-mail. Enfim, como eu ainda era uma pessoa relativamente civilizada ficou por isso mesmo. Como eu já tinha pago pelo curso, eu recebi um e-mail dizendo que eu tinha que ligar para lá para dar as informações do cartão que eu tinha usado para eles devolverem o dinheiro.
Ahhh, mas que abuso! Liguei pra lá REVOLTADA. Pra começar a mulher não conseguia me achar na lista de alunos, porque ninguém entende quando eu falo PINHO, e nem mesmo soletrado. Depois de muito tempo me achou e aí deu mais algum problema, aí eu falei: "Olha só, eu vim correndo para NY fazer um curso que NINGUÉM me avisou que tinha sido cancelado, eu descobri por sorte, me mandam um e-mail pra dizer que eu tinha que ligar para vocês. Como assim? Vocês que tinham que me ligar!" Aí ela: "Senhora, a mulher que trabalha com isso é surda e não pode falar no telefone". =0. Mas como eu tava embuída do espírito da impaciência: "Ah, mas eu não acredito que não há ninguém nessa instituição que seja capaz de ouvir e ligar para os alunos!". Enfim, a gente continuou discutindo... e isso já me aconteceu diversas vezes com atendimentos pelo telefone.. não é que nem aquele pessoal da NET, Oi, Globo, que quando nos irritam a gente xinga a vontade que eles não falam nada. A mulher ficava: "Eu estou tentando te ajudar, mas estou me sentindo atacada!!!" Começou a fazer um drama imenso. E depois a ME atacar! Enfim, espero nunca mais querer fazer outro curso na School of Visual Arts.

- Pedi uma pizza outro dia. Eram 3 horas da manhã e aqui os deliverys de pizza vão até às 5h. As duas grandes pizzarias aqui são a Domino's e a Pappa Johnes. Como a segunda não tem no Brasil, liguei pra lá para experimentar. Vi no site alguns sabores, alguns preços, mas sabe, queria discutir minhas opções com o cara que me atendeu. Pois bem, escolhido o sabor e o tamanho, ele falou: U$12 pela pizza pequena. Sendo que eu vi no site bem grande: Qualquer pizza grande U$10. Falei pra ele: "olha, mas aqui tá dizendo que a pizza grande é R$10." Aí ele: "não, não é." Aí eu: "Tem certeza?" Ele: "Olha, você vai querer ou não?" Como eu estava faminta e não queria de fato uma pizza grande, resolvi não discutir por U$2. Agora sério, qual é a pressa que ele estava que não podia atender bem um cliente às 3h da manhã??! Da próxima vez eu chamo a Domino's.

- Finalmente, ontem. Fui a Starbucks, que estava uma fila imensa e a mulher do caixa claramente estressada. Aí eu, com a minha cara de brasileira simpática e compreensiva: "Oi, eu queria por favor um café pequeno com bastante espaço para o leite." Ela certamente pouco se importou com a minha observação e encheu meu café até a boca. Aí eu abri a tampinha e falei: "Eu pedi bastante espaço para o leite". Eu não acreditei, mas ela olhou pra mim, pegou meu café e derramou quase TUDO, deixando, sem exagero, 2 dedos de café no copo. "Tá bom assim?". Eu não sabia se eu ria ou chorava... falei com muita paciência: "Hum... não, agora foi demais." Ela encheu de novo derramando café por toda parte e amaldiçoando todas as gerações da minha família. Logo eu, que falei tão bem da Starbucks outro dia!

Muito mais coisa já aconteceu comigo aqui, são essas pequenas coisas que fazem a gente querer chegar em casa do fim do dia, abraçar o ursinho e ligar pra mãe. Mas agora eu já me acostumei e acho até que minha educação, na qual meus pais investiram tanto, está se esvaíndo com o tempo. Outro dia fui pegar o elevador aqui e tinha uma mulher dentro, que viu que eu tava chegando, mas a porta começou a chegar mesmo assim. Eu berrei (porque ela tava no telefone): "SUCH A NICE PERSON!" Quando ela virou pra mim e falou: "Eu estava tentando abrir a porta para você."Ops.

No dia que eu tava saindo do prédio pra ambulância de cadeira de rodas, acompanhada de dois para-médicos e a diretora do prédio, o segurança abriu a porta pra mim. Se não fosse a minha dor eu bem devia ter gritado: "AGORA você abre né!"

As pessoas aqui seguem a filosofia "by the book": fazem tudo que teoricamente elas têm que fazer - e só. Totalmente diferente dos brasileiros! Por exemplo, se você for em lojas aqui como a American Eagle, as vendedoras vão se tornar suas amigas de infância em 5 minutos. Elas literalmente param para conversar com você com aquele jeito: "OMG (Oh my God)! Eu comprei essa camisola (que eu estava segurando), e sabia que você pode usar pra sair a noite?!" Daqui a pouco ela volta com leggings e um colar: "Fica maravilhoso! De onde você é?!" E assim começa uma linda, verdadeira e duradoura amizade. Aí no fim ela fala: "Se perguntarem se alguém te ajudou, já sabe né?" Nas lojas aqui, te perguntam no caixa se algum vendedor te ajudou, por isso eles são tão "simpáticos", porque devem ganhar mais conforme os clientes vão dando os nomes deles no caixa!

A mesma coisa nos restaurantes. A garçonete vem com um sorriso de orelha a orelha e toda resposta é : "Sure!" "Absolutely!", quando ela vira, dá pra perceber a cara dela fechando. Uma sinceridade só! Pra quê? Gorjeta! Ou seja, existem sim pessoas simpáticas... é só pagar!

É por isso que, depois de já ter feito meu estoque de produtos "I Love NY", meu próximo objeto de desejo é: